segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Morreram as Palavras...




As palavras morreram, meu amor...
Tresmalharam-se no turbilhão da vida, perderam-se nas torrentes do desapego que não soubemos refrear... Calaram-se as canções do coração. Triste pranto sem lágrimas! Coração vazio... obscurecido... roga ainda por uma simples palavra... uma luz secreta que ainda vive na memória do horizonte...
Silenciaram-se os olhos que já não sabem sorrir... já não há paisagens de futuro a desbravar na primavera dos sentidos... já não há poesia a visitar-me no silêncio das minhas noites...
Fecho os olhos e não vejo nada... a estrada por onde eu caminho já não tem o perfume das brisas... há um vendaval que me arrasta em angústia nas ondas enfurecidas da Razão.
Foge-me a vida... e eu ainda procuro o sonho, um fugaz contentamento que abrande este tormento.
Esvai-se a alvorada do espelho, marcas de dor tatuadas numa tez apagada e sem brilho... Já pouco remanesce em mim... a não ser resquícios de um sonho moribundo que eu embalei ingenuamente, pedaços de quimeras imperfeitas sem sentido.
Lateja a ferida da alma que não cicatriza, dói-me a saudade, o pensamento que não te quer, mas onde sempre regressas numa memória que não quero ter.

Princesa do Mar 

1 comentário:

Druida da Noite disse...

Às vezes fechamo-nos, como flor que recolhe as pétalas para se proteger da Noite. É assim quando deixamos o tempo arrastar a escuridão para o meio do nosso dia.

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