sábado, 1 de maio de 2010

Solidão das Palavras


As palavras começam a despontar numa voz silenciosa. A solidão fala nas páginas brancas tingidas de emoção, letras desarrumadas querendo aconchegar-se no segredo de um verso, na elevação de uma estrofe longa, sem soluços.

Continuo só, as palavras vão desgastando a tinta do coração. Leio o poema numa tentativa de te encontrar, mas a ausência acena uma distância perene que se afunda num mar de renúncia e hesitação.

As páginas enchem-se de feridas, magoam-se com as lágrimas que escorrem dos olhos e descem em torrentes de desespero. As palavras tornam-se nuas, frias… querem fugir dos dedos, como se estes ficassem imóveis sem o movimento do coração.

Mas eu continuo a escrever, quero inventar outras letras com outras cores…doces com aromas etéreos de outros mundos. Talvez a solidão entorne nas páginas dolentes perfumes de brisas novas que me transportem para o paraíso de um silêncio azul.

Princesa do (M)ar

3 comentários:

Sonhadora disse...

Lindo texto, também me sinto assim.

Deixo um beijinho.

Sonhadora

Luz disse...

Um texto forte e sentido. A solidão consegue tocar-nos a pele, sentimo-la. Também a sinto e, tenho este sentir.

Gostei deste espaço.

Abraço de Luz

FlorAlpina disse...

É na solidão das palavras, que encontro companhia.

Bonito texto!

Bjs dos Alpes

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